Mesmo tarefas consideradas simples podem gerar...
Mesmo tarefas consideradas simples podem gerar desgaste quando são repetidas por várias horas, executadas em posições inadequadas ou realizadas sem pausas. Dor nas costas, desconforto nos punhos, fadiga muscular e tensão no pescoço costumam aparecer aos poucos, até se transformarem em problemas que exigem tratamento e afastamento das atividades.
É por esse motivo que a ergonomia faz parte da Segurança e Saúde no Trabalho. Ela permite identificar fatores de risco, adaptar postos de trabalho e criar condições para que cada profissional execute suas atividades com conforto, eficiência e segurança.
No artigo de hoje explicaremos o que é ergonomia, por que ela faz parte da segurança do trabalho, quais são os principais riscos ergonômicos e doenças relacionadas, o que diz a NR-17, como aplicar a ergonomia no home office e como colocar esse programa em prática na sua empresa. Continue a leitura!
A ergonomia busca adaptar o trabalho às características das pessoas. Seu objetivo é organizar atividades, equipamentos, móveis e processos para reduzir o esforço físico e mental durante a execução das tarefas.
A ergonomia vai além de escolher uma cadeira confortável ou ajustar a altura da mesa. Ela também analisa:
» Movimentos repetitivos
» Levantamento de cargas
» Ritmo de trabalho
» Iluminação e temperatura
» Organização das atividades e das pausas
» Uso de equipamentos
» Fatores relacionados à carga mental
Cada função apresenta necessidades específicas. Um operador de máquina enfrenta desafios diferentes dos vividos por um analista administrativo, um motorista ou um profissional da saúde. Por essa razão, a avaliação ergonômica precisa observar a realidade de cada posto de trabalho.
Quando a atividade é compatível com as capacidades do trabalhador, o desgaste físico tende a diminuir, o desempenho melhora e os riscos de lesões são menores.
A ergonomia também procura eliminar situações que provocam desconforto no dia a dia de trabalho. Pequenos ajustes realizados no ambiente podem gerar resultados positivos ao longo do tempo, ainda mais quando fazem parte de um programa contínuo de prevenção.
Os riscos ergonômicos podem estar presentes tanto em escritórios quanto em indústrias, hospitais, supermercados, centros logísticos, comércios ou atividades realizadas em campo.
Entre os fatores de risco mais comuns estão:
» Movimentos repetitivos
» Posturas inadequadas
» Permanecer sentado durante longos períodos
» Permanecer em pé por muitas horas
» Levantamento e transporte manual de cargas
» Esforço físico intenso
» Ritmo excessivo de trabalho
» Ausência de pausas
» Móveis inadequados
» Equipamentos incompatíveis com a atividade
Cada um desses fatores pode aumentar a sobrecarga sobre músculos, tendões, articulações e coluna vertebral.
As doenças ocupacionais relacionadas à ergonomia recebem destaque por causa do grande número de afastamentos registrados todos os anos. Entre elas estão as LER (Lesões por Esforços Repetitivos) e os DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho).
Embora muitas pessoas usem os dois termos como sinônimos, existe uma pequena diferença. LER se refere às lesões provocadas por esforços repetitivos, enquanto DORT reúne diversas alterações musculoesqueléticas relacionadas ao trabalho, mesmo quando a repetição não é o único fator envolvido.
Entre os problemas mais frequentes estão:
» Tendinite
» Tenossinovite
» Síndrome do túnel do carpo
» Epicondilite
» Bursite
» Cervicalgia
» Lombalgia
» Dores nos ombros
» Lesões musculares
Os sintomas costumam aparecer aos poucos. Alguns sinais que merecem atenção são:
» Dor
» Perda de força
» Sensação de peso
» Formigamento
» Dificuldade para movimentar os membros
» Redução da capacidade funcional
Quando o diagnóstico ocorre nas fases iniciais, as chances de recuperação são maiores. Por outro lado, quando o trabalhador permanece exposto aos mesmos fatores de risco durante um longo período, o tratamento pode se tornar mais complexo.
A Norma Regulamentadora nº 17 (NR-17) define parâmetros para adaptar as condições de trabalho às características de quem executa cada tarefa. Na prática, isso envolve três frentes principais: móveis adequados, organização das pausas e avaliação ergonômica do trabalho. Veja o que cada uma delas significa no dia a dia da empresa.
Móveis adequados
Mesas, cadeiras, bancadas e postos de trabalho precisam permitir postura confortável durante a execução das tarefas. Para isso, é preciso garantir:
» Cadeiras com regulagem, sempre que a atividade exigir permanência na posição sentada
» Apoio adequado para as costas, reduzindo a sobrecarga sobre a coluna
» Altura do assento e posicionamento dos braços que permitam uma postura equilibrada
» Espaço suficiente para movimentação das pernas
» Posicionamento adequado dos equipamentos
» Altura correta das superfícies utilizadas durante o trabalho
Organização das pausas
A NR-17 também trata da organização do trabalho. Dependendo da atividade desenvolvida, pode existir necessidade de pausas para reduzir a fadiga física e mental.
Esses intervalos permitem recuperar parte do esforço acumulado durante tarefas repetitivas ou que exigem concentração contínua.
Além das pausas, a alternância entre atividades é outra medida capaz de reduzir sobrecargas musculares.
Avaliação Ergonômica do Trabalho (AET)
A norma também prevê a Avaliação Ergonômica do Trabalho (AET), que permite analisar cada atividade de forma detalhada, considerando fatores físicos, organizacionais e cognitivos.
Durante esse processo, são observados aspectos como:
» Postura
» Força aplicada
» Repetitividade
» Ritmo de trabalho
» Móveis e equipamentos
» Ambiente físico
» Organização das tarefas
Com base nas informações coletadas, a empresa consegue definir melhorias capazes de reduzir riscos ergonômicos e promover condições mais seguras para os trabalhadores.
A aplicação da NR-17 deve fazer parte do dia a dia da empresa, acompanhando mudanças de processos, aquisição de novos equipamentos e alterações na organização do trabalho.
Após a pandemia, houve um crescimento do trabalho remoto. Por isso, muitas pessoas passaram a realizar suas atividades usando mesas de jantar, sofás, cadeiras sem apoio adequado ou espaços improvisados. Embora essas soluções pareçam suficientes durante alguns dias, o uso contínuo pode provocar desconforto e aumentar o risco de lesões.
Por isso, a ergonomia também deve estar presente no home office. Alguns cuidados essenciais são:
Monitor: deve ficar em altura compatível com a linha dos olhos, para reduzir flexões excessivas do pescoço
Teclado e mouse: devem permitir posicionamento confortável dos braços, evitando tensão sobre ombros e punhos
Cadeira: precisa oferecer apoio para a região lombar e permitir que os pés fiquem apoiados no piso ou em um suporte apropriado
Iluminação: ambientes muito escuros ou com reflexos intensos sobre a tela aumentam o esforço visual e podem provocar dores de cabeça ao longo do expediente
Vale também organizar pausas durante o dia para levantar, caminhar por alguns minutos, alongar braços, pescoço e pernas, além de alternar posições sempre que possível.
Empresas que adotam o trabalho remoto podem orientar seus colaboradores por meio de treinamentos, cartilhas, vídeos educativos e avaliações ergonômicas virtuais, fortalecendo a prevenção mesmo fora das instalações da empresa.
Criar um programa de ergonomia exige planejamento, acompanhamento contínuo e participação de diversos setores da organização. Veja os principais passos:
Identifique os riscos
O primeiro passo envolve identificar os riscos presentes em cada atividade. Inspeções, entrevistas com trabalhadores, observação das tarefas e análise ergonômica ajudam a compreender quais fatores exigem ajustes.
Defina prioridades
É necessário estabelecer prioridades para corrigir situações capazes de gerar maior impacto sobre a saúde ocupacional.
Ajuste dos móveis, ferramentas e processos
A adequação dos móveis é apenas uma parte do processo. Além disso, podem ser necessárias alterações em ferramentas, equipamentos, métodos de trabalho, organização das atividades e distribuição das pausas.
Ouça quem faz o trabalho no dia a dia
Quem executa as tarefas no dia a dia identifica dificuldades que nem sempre aparecem durante uma inspeção técnica. Ouvir essas percepções ajuda a construir soluções compatíveis com a realidade de cada setor.
Oriente e treine os trabalhadores
Orientar trabalhadores sobre postura, movimentação de cargas, regulagem de cadeiras, posicionamento de monitores, pausas e uso correto dos equipamentos reduz falhas que aumentam o desgaste físico.
Acompanhe os resultados
O acompanhamento periódico permite verificar se as melhorias implementadas produziram os resultados esperados ou se novos ajustes precisam ser realizados.
Como vimos, ao adaptar postos de trabalho, equipamentos e organização das tarefas às características humanas, é possível reduzir sobrecargas físicas e cognitivas que, ao longo do tempo, podem resultar em afastamentos e doenças ocupacionais.
A aplicação da NR-17 oferece orientação para que empresas desenvolvam ambientes de trabalho mais seguros, confortáveis e compatíveis com as necessidades de cada função. Medidas como adequação dos móveis, organização das pausas, realização da Avaliação Ergonômica do Trabalho e capacitação das equipes fortalecem a prevenção e promovem melhores condições para a execução das atividades.
Com o uso mais comum do home office, esses cuidados passaram a fazer parte também do dia a dia de quem trabalha fora das instalações da empresa. Adaptar o espaço doméstico, orientar colaboradores e acompanhar possíveis riscos permite manter o cuidado com a saúde ocupacional em qualquer local de trabalho.
O Instituto Aprimorar conta com treinamentos profissionais e orientações técnicas que visam garantir a saúde e a segurança dos seus colaboradores, bem como a adequação da sua empresa às normas reguladoras vigentes. Entre em contato conosco e conheça as nossas soluções para o seu negócio.
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