Trabalho a Quente: Quais os Riscos e Como Evitar Acidentes?

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O trabalho a quente é uma atividade comum em diversos setores industriais, da construção civil à manutenção predial. Apesar de fazer parte da rotina de muitas empresas, esse tipo de serviço envolve riscos elevados quando não é corretamente planejado e controlado. Por isso, compreender o conceito, as normas aplicáveis e as medidas de segurança é importante para a prevenção de acidentes e para a promoção de um ambiente de trabalho mais seguro.

O termo trabalho a quente refere-se a toda atividade que gera calor, faíscas ou chamas abertas, capazes de iniciar um incêndio ou explosão. Entre os exemplos mais conhecidos estão soldagem elétrica e oxiacetilênica, corte com maçarico, esmerilhamento e uso de lixadeiras e ferramentas que produzem centelhas. Essas atividades, quando realizadas em locais com materiais inflamáveis ou sem controles adequados, aumentam significativamente os riscos à segurança do trabalho.

O trabalho a quente é abordado principalmente pela NR 01 – Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, que trata da identificação e controle dos riscos presentes nas atividades laborais. Além disso, outras normas complementam o tema, como a NR 06, NR 23 e NR 18. Essas normas orientam a adoção de medidas preventivas, o uso de EPIs adequados e a necessidade de procedimentos específicos, como a Permissão de Trabalho (PT) para atividades a quente.

Neste artigo, você vai entender o que é trabalho a quente, qual NR orienta quanto ao trabalho a quente, principais acidentes envolvendo trabalho a quente, e medidas de segurança. Continue a leitura!

O que é trabalho a quente?

Trabalho a quente é toda atividade realizada no ambiente de trabalho que gera calor, chamas, faíscas ou centelhas, capazes de provocar incêndios, explosões ou queimaduras quando não há controle adequado dos riscos.

Esse tipo de trabalho é comum em atividades de manutenção, montagem e fabricação, especialmente em áreas industriais e na construção civil. Entre os exemplos mais conhecidos de trabalho a quente estão:

» Soldagem elétrica ou oxiacetilênica
» Corte com maçarico
» Esmerilhamento
» Lixamento 
» Uso de ferramentas que produzem faíscas

O principal risco do trabalho a quente está na possibilidade de ignição de materiais inflamáveis presentes no local, como gases, vapores, poeiras ou líquidos combustíveis. Por isso, a segurança do trabalho exige que essas atividades sejam planejadas, avaliadas e executadas com medidas de controle, como isolamento da área, uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e, quando necessário, a emissão de Permissão de Trabalho.

Qual NR fala sobre trabalho a quente?

A NR 01 estabelece que toda atividade com potencial de risco deve passar por identificação, avaliação e controle de riscos, o que inclui os trabalhos a quente. É nessa norma que se encontra a exigência de planejamento das atividades, adoção de medidas preventivas e implementação de procedimentos como a Permissão de Trabalho (PT) para serviços de maior risco.

Além da NR 01, outras Normas Regulamentadoras se relacionam diretamente com o trabalho a quente, complementando as exigências de segurança do trabalho:

NR-06 – trata do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs)
NR-18 – aborda atividades com trabalho a quente na construção civil
NR-23 – dispõe sobre proteção contra incêndios
NR-26 – trata da sinalização de segurança

Embora não exista uma NR exclusiva para trabalho a quente, a NR 01 é a principal referência, sendo complementada por outras normas conforme o tipo de atividade e o ambiente de trabalho.

Acidentes envolvendo trabalho a quente

Os acidentes envolvendo trabalho a quente estão, na maioria das vezes, relacionados à falta de controle dos riscos presentes no ambiente de trabalho. Como essas atividades geram calor, chamas e faíscas, qualquer falha no planejamento ou na execução pode resultar em ocorrências graves.

Entre os acidentes mais comuns envolvendo trabalho a quente, destacam-se:

» Incêndios provocados por fagulhas que entram em contato com materiais inflamáveis, como tintas, solventes, papéis ou resíduos industriais
» Explosões em locais com presença de gases, vapores ou poeiras combustíveis
» Queimaduras causadas pelo contato direto com superfícies aquecidas, respingos de solda ou chamas
» Lesões oculares decorrentes da exposição a radiações e partículas projetadas durante soldagem e corte
» Intoxicações por inalação de fumos metálicos e gases gerados durante o processo

Muitos desses acidentes acontecem quando não há isolamento adequado da área, ausência de Permissão de Trabalho, falhas na ventilação ou uso incorreto de Equipamentos de Proteção Individual. Além dos danos aos trabalhadores, os acidentes com trabalho a quente podem causar prejuízos materiais, paralisação das atividades e impactos ao meio ambiente.

Por isso, a segurança do trabalho recomenda que toda atividade a quente seja precedida por análise de riscos, definição de medidas preventivas e acompanhamento contínuo durante a execução do serviço.

Medidas de segurança para trabalho a quente

As medidas de segurança para trabalho a quente têm como objetivo reduzir os riscos de incêndios, explosões e lesões aos trabalhadores. Como essas atividades envolvem geração de calor, faíscas e chamas, é necessário um controle rigoroso antes, durante e após a execução do serviço.

Para reduzir os riscos associados ao trabalho a quente, algumas ações preventivas devem ser adotadas:

» Emissão de Permissão de Trabalho a Quente (PT), contendo a descrição da atividade, análise de riscos e medidas de controle
» Inspeção prévia do local, verificando a presença de materiais inflamáveis, gases, vapores ou resíduos combustíveis
» Isolamento e sinalização da área, impedindo o acesso de pessoas não envolvidas na atividade
» Remoção ou proteção de materiais inflamáveis, utilizando barreiras resistentes ao calor quando necessário
» Disponibilização de equipamentos de combate a incêndio, como extintores adequados e em condições de uso
» Ventilação adequada do ambiente, reduzindo a concentração de fumos, gases e vapores
» Uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como máscara de solda, óculos de proteção, luvas, avental, calçados de segurança e protetores respiratórios
» Capacitação dos trabalhadores, garantindo que conheçam os riscos e os procedimentos de segurança
» Monitoramento contínuo durante a atividade e verificação do local após o término do trabalho, para evitar focos de incêndio tardios

A aplicação conjunta dessas medidas fortalece a segurança do trabalho, reduz a probabilidade de acidentes e contribui para um ambiente mais controlado durante a execução de atividades a quente.

Conclusão

Como vimos, o trabalho a quente está presente em diversas atividades industriais e de manutenção, sendo caracterizado pela geração de calor, chamas ou faíscas. Por esse motivo, ele apresenta riscos que podem comprometer a integridade dos trabalhadores e das instalações quando não há controle adequado. Compreender o que caracteriza esse tipo de atividade é o primeiro passo para reconhecer seus perigos e agir de forma preventiva.

As Normas Regulamentadoras, especialmente a NR 01, orientam a identificação e o gerenciamento dos riscos envolvidos no trabalho a quente, reforçando a necessidade de planejamento e procedimentos específicos. Acidentes como incêndios, explosões e queimaduras demonstram que falhas no cumprimento das normas e na análise do ambiente podem gerar consequências graves. Dessa forma, o conhecimento técnico aliado à aplicação prática das exigências legais contribui para reduzir ocorrências.

A adoção de medidas de segurança, como Permissão de Trabalho, uso de EPIs, isolamento da área e monitoramento contínuo, fortalece a segurança do trabalho durante a execução dessas atividades. Quando essas ações são aplicadas de maneira integrada, cria-se um ambiente mais controlado e organizado. Assim, o trabalho a quente pode ser realizado com maior previsibilidade, reduzindo riscos e promovendo a proteção dos profissionais envolvidos.

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